A Doença cárie é o problema bucal mais conhecido e também o mais corriqueiro.  Trata-se de um problema de saúde pública, com alta prevalência. Medidas preventivas, como o uso de dentifrício fluoretado (na concentração acima de 1.000ppm, na quantidade correta para cada idade), escovação supervisionada por um adulto, consumo inteligente do açúcar e consultas regulares ao dentista, favorecem o não aparecimento de tal doença. Vale ressaltar que não se trata de uma doença transmissível, visto que, depende de vários fatores para ocorrer.

Além da doença cárie, outros problemas podem afetar e cavidade oral das crianças. Dentre eles, a alteração de oclusão é bastante comum. Tal alteração se deve principalmente aos hábitos parafuncionais, como uso indiscriminado da chupeta, sucção digital, unicofagia (hábito de roer unha) e bruxismo, quando a pessoa aperta e/ou range os dentes de forma involuntária.

As parafunções podem alterar o desenvolvimento craniofacial, levando a maloclusões (irregularidades dentárias e ósseas que impedem os dentes de se encaixarem corretamente), mordidas cruzadas e/ou abertas. Se os hábitos ocorrerem durante o período de crescimento facial, podem gerar forças musculares anormais e persistentes com risco potencial de alterações importantes das estruturas do sistema mastigatório. É muito importante que os pais procurem ajuda no sentido de eliminar os hábitos, tendo em vista que algumas alterações apresentam caráter de irreversibilidade.

Apesar de ser menos prevalente que a doença cárie, a doença periodontal (gengival) também é bastante presente no consultório odontopediátrico, tendo como principal fator etiológico o acúmulo de biofilme. Seu estágio inicial se manifesta sob forma de gengivite, caracterizando inflamação dos tecidos gengivais. As reações inflamatórias podem se tornar mais exacerbadas à medida que não houver controle efetivo do biofilme. O uso do fio dental é indispensável, juntamente com a escovação, na prevenção e também no tratamento de tal patologia.

Outra alteração bucal bastante comum é a erosão dentária, que consiste na perda localizada, crônica e patológica de tecido mineral, o qual é removido quimicamente da superfície dental por meio de ácido ou substancias quelantes, sem o envolvimento bacteriano. Quanto aos fatores etiológicos envolvidos, pode-se citar como agente extrínseco mais comum em crianças e adolescentes, o consumo excessivo de bebidas e alimentos ácidos.

No Brasil, o consumo de refrigerantes dobrou nos últimos cinco anos e se posiciona em terceiro lugar no mundo, depois dos Estados Unidos e México. Além disso, o uso contínuo de alguns medicamentos pode acarretar em lesões erosivas nos dentes. Quanto aos fatores intrínsecos, pode-se mencionar a acidez estomacal e bucal, além da diminuição do fluxo salivar.

Consultas regulares ao dentista propiciam a prevenção e o diagnóstico precoce das alterações citadas, favorecendo bons resultados. A informação é sempre o melhor caminho para se alcançar boa saúde.

Natália Teixeira é odontopediatra – CRO: 105-754

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