autismo 3

O QUE É AUTISMO?

Autismo, ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é uma condição neuropsiquiátrica (envolve neurônios e a mente) que se caracteriza por alterações nas seguintes áreas do desenvolvimento das crianças: relacionamento social, comunicação social e comportamentos. Tais características costumam surgir durante os primeiros três anos de vida, mas, há indivíduos que só apresentam as características de forma mais clara mais tardiamente.

HÁ MUITOS AUTISTAS NO MUNDO?

Aproximadamente 1 em cada 100 crianças apresenta TEA, mas, antigamente, o número de autistas detectados era bem menor. Há dúvidas sobre quais fatores podem explicar o aumento desse número: maior facilidade para reconhecimento, maior divulgação sobre o assunto, além de fatores ambientais são algumas hipóteses.

O TEA é diagnosticado cerca de quatro vezes mais no sexo masculino do que no feminino, mas, no sexo feminino, é mais comum existir deficiência intelectual associada ao autismo. Provavelmente, as meninas autistas que não apresentam deficiência intelectual apresentam quadro mais leve de prejuízos sociais e da comunicação, o que dificulta o diagnóstico da condição nas mesmas.

O QUE CAUSA O AUTISMO? A CULPA É DA MÃE, DA VACINA?

Há várias causas diferentes que levam uma criança a desenvolver o autismo, incluindo fatores genéticos e metabólicos (erros inatos do metabolismo). Também, há casos de TEA decorrentes de fatores externos (infecções do sistema nervoso central, traumatismo craniano). Porém, muitos ainda não podem ser esclarecidos com o conhecimento científico atual.

Antigamente, acreditava-se que as mães frias e distantes de seus bebês recém-nascidos contribuíam para o desenvolvimento do autismo (“mães geladeiras”). Felizmente, não há nenhuma evidência científica que ligue o autismo a fatores psicossociais, incluindo inadequação familiar, mas, ainda há profissionais que disseminam a falsa ideia de que “a culpa é da mãe”.

A afirmação polêmica de que algumas vacinas poderiam causar autismo surgiu em 1998, em um artigo de Andrew Wakefield e 12 colaboradores publicado em uma importante revista científica (Lancet). Nesse artigo, foi sugerido que crianças vacinadas contra sarampo, caxumba (parotidite viral) e rubéola poderiam apresentar regressão do comportamento e autismo. Esse estudo, considerado uma das fraudes mais graves na história da medicina, levou pais de todo o mundo a não vacinar seus filhos para que não desenvolvessem o autismo, expondo-os aos riscos de doenças e complicações dessas. Em 2010, o Lancet assumiu que a publicação apresentava várias falhas, mas, até os dias atuais, há pais que evitam vacinar seus filhos.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO AUTISMO?

A intensidade das características varia muito entre os autistas; cerca de 3/4 deles apresenta deficiência intelectual associada, e 1/4, inteligência normal ou acima da média. De uma forma geral, as principais são:
-Alteração no relacionamento social – As crianças, em seus primeiros anos de vida, podem apresentar indiferença em relação a terceiros, além de pouco contato visual. As crianças maiores têm dificuldade para apresentar comportamentos esperados para uma situação, além de dificuldade para perceber como os outros se sentem. É comum que consigam contato mais adequado com adultos e crianças mais novas do que com crianças da mesma idade. Os adolescentes têm maior dificuldade para desenvolver amizades íntimas.
-Alteração na comunicação social – Incluem alterações da linguagem verbal expressiva (fala) e receptiva (compreensão), além da comunicação não-verbal (gestos). Pode haver diminuição do balbucio, atraso na fala ou ausência de fala útil (esse ocorre em aproximadamente 50% dos autistas), repetição de palavras e frases de outras pessoas (ecolalia), inversão pronominal (“você gosta” ao invés de “eu gosto”), uso de palavras e de frases fora do contexto, além de palavras inexistentes (neologismos). O discurso é substituído por monólogo, geralmente para exigir algo (no imperativo). Prejuízo na entonação das palavras (prosódia) e dificuldade para perceber que os assuntos de seu interesse não são interessantes para os ouvintes geralmente ocorrem.
-Alterações no comportamento – O portador de TEA costuma apresentar grande dificuldade para brincar de faz-de-conta (pensamento simbólico). Há insistência em um determinado interesse (canudos, por exemplo), grande dificuldade em ser contrariado, gosto por rotinas rígidas, movimentos repetitivos e intencionais (estereotipias), além do hábito de enfileirar objetos. Interesses excêntricos e restritos, como detalhar sobre o surgimento do universo ou descrever sobre o funcionamento da ressonância magnética (“ilhas de precocidade”), podem surgir. Agitação psicomotora, acessos de raiva, auto / heteroagressividade, insônia, seletividade alimentar, além de doenças físicas (infecções, sintomas gastrointestinais, convulsões febris) ocorrem com frequência.

QUEM DEVO PROCURAR PARA AVALIAR SE MEU FILHO É AUTISTA?

O diagnóstico de autismo, oficialmente, é um ato médico, preferencialmente por um psiquiatra da infância e da adolescência. Posteriormente, a investigação de causas (genéticas / metabólicas) é realizada pelo médico geneticista / neuropediatra.

AUTISMO TEM TRATAMENTO?

Assim que o autismo for confirmado, há várias intervenções terapêuticas: devem ser multidisciplinares, incluindo:
-Terapia psicológica (cognitivo-comportamental), incluindo o treinamento dos pais / responsáveis legais.
-Terapia pedagógica.
-Terapia fonoaudiológica.
-Terapia ocupacional.
-Tratamento com médico psiquiatra da infância e da adolescência  Cerca de 30% dos autistas apresentam outros quadros psiquiátricos (comorbidades): Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade, auto/heteroagressividade, Transtornos Psicóticos, destrutividade, Transtornos Depressivos, Transtorno Bipolar, Transtorno de Tiques, dentre outras. O reconhecimento e o tratamento dessas condições colabora com a melhora no desenvolvimento da criança.
-Tratamento com neuropediatra  Epilepsia está presente em 25% dos autistas.

FUTURO DO AUTISMO

Caso haja ambiente que satisfaça as necessidades dos indivíduos autistas, a melhora adicional do prognóstico (previsão futura) será possível. O passo inicial é a detecção precoce. Uma sugestão é a utilização da Caderneta de Saúde da Criança (10ª edição – 2015 – Ministério da Saúde), que oferece dados sobre o desenvolvimento mental, emocional e social esperados para crianças na primeira infância (nascimento até 6 anos). Pais que são incentivados pelos pediatras a acompanhar o desenvolvimento de seus filhos estarão mais aptos a perceber qualquer alteração, aumentando as chances de investigação o quanto antes.

autismo 1

Os sinais de alerta que exigem investigação incluem:
-Não balbuciar até 12 meses de vida.
-Não gesticular (apontar, acenar) até 12 meses.
-Não pronunciar ao menos uma palavra até 16 meses.
-Não pronunciar frases com ao menos duas palavras espontâneas até 24 meses.
-Perda de habilidades sociais ou de linguagem em qualquer idade.

autismo 2

Quer saber mais? Acesse o link:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_14.pdf

“Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico”
“Para mais informações procure sempre o seu Psiquiatra da Infância e da Adolescência e realize uma consulta presencial”

CompartilharShare on Facebook

Comentários

Tradução »