A obesidade é um problema de saúde pública. O número de crianças e adolescentes obesos é 10 vezes maior que na década de 70. Vários fatores contribuem para este crescimento do excesso de peso, que trouxe para os consultórios de pediatria, de forma mais recorrente, assuntos como hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2. As famílias precisam entender que quanto mais cedo iniciar o tratamento da obesidade, maiores as chances de a criança se tornar o adulto saudável.

É importante destacar que o tratamento da obesidade envolve uma abordagem multidisciplinar, com mudança na alimentação, no estilo de vida e na dinâmica familiar, aumento da atividade física e apoio psicossocial. Neste processo, é fundamental o envolvimento de toda a família.

Nos casos de obesidade grave ou de presença de morbidades associadas, é importante recorrer a uma equipe multiprofissional, formada por pediatra, nutricionista, psicólogo, assistente social e educador físico, entre outros. O tratamento nunca deve ser adiado. Cerca de 30% dos adultos obesos foram crianças obesas, e entre os casos graves, essa proporção aumenta para 50% a 75%.

A Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou o documento “Obesidade na infância e na adolescência – Manual de Orientação”, em que explica que um dos períodos críticos para o desenvolvimento da obesidade tem sido observado em crianças de sete a nove anos de idade, portanto, é preocupante o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade nessa fase devido à associação com complicações metabólicas, cardiovasculares, pulmonares, ortopédicas, psicológicas e algumas formas de câncer decorrentes da obesidade na idade adulta.

Prevenir a obesidade na infância é a maneira mais segura de controlar essa doença crônica grave, que pode se iniciar desde a vida intrauterina até a adolescência. A importância da prevenção na infância decorre da associação da obesidade com doenças crônicas do adulto, que podem surgir já na infância. Confira, abaixo, algumas das doenças causadas pela obesidade na infância, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria:

– Síndrome Metabólica (SM) – é uma condição clínica composta de anormalidades antropométricas, fisiológicas e bioquímicas que predispõem os indivíduos afetados ao desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular

– Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) – associada a obesidade, é atualmente a forma de apresentação mais comum desta enfermidade em crianças e adolescentes.

– Dislipidemia – relacionada com a obesidade, é caracterizada por aumento dos níveis de triglicérides, queda dos níveis de HDL-colesterol e composição anormal de LDL-colesterol (maior proporção de partículas pequenas e densas).

– Lesões Hepáticas – quando acompanham a obesidade são decorrentes de mecanismos combinados, que envolvem a resistência insulínica e o estresse oxidativo. Esses mecanismos têm influência de fatores genéticos, que podem predispor ao aparecimento dessa doença. Tais lesões, que se iniciam com a simples infiltração gordurosa no fígado, podem progredir, evoluindo para esteato-hepatite (20% dos casos) e cirrose hepática (2% dos casos).

– Alterações Ortopédicas – em indivíduos com obesidade decorrem, principalmente, da modificação do eixo de equilíbrio habitual, a qual resulta em aumento da lordose lombar, com protrusão do abdome e inclinação anterior da pelve (anteroversão), em cifose torácica e em aumento da lordose cervical.

– Alterações Dermatológicas – relacionadas à obesidade podem refletir uma série de alterações metabólicas e devem ser cuidadosamente avaliadas durante a abordagem e o seguimento da criança e do adolescente obesos.

– Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) – acomete de 0,7% a 3% das crianças e adolescentes obesos. Caracteriza-se por episódios repetidos de pausas respiratórias devido à obstrução das vias aéreas superiores, associados à interrupção do sono e à queda na saturação da oxihemoglobina.

Agora que você já sabe de que forma a obesidade pode prejudicar a saúde das crianças, é hora de reverter este quadro. O primeiro passo é procurar um profissional especialista nessa área, que possa fazer um exame detalhado da saúde da criança e oferecer as devidas orientações e/ou tratamentos. Algumas mudanças no dia a dia, no entanto, já podem dar início a este trabalho. Confira:

– A partir dos 2 anos, substitua laticínios integrais por outros de baixos teores de gordura

– Aumente o consumo de frutas, vegetais e cereais integrais

– Evite e limite o consumo de refrigerantes

– Evite o hábito de comer assistindo TV

– Diminua a exposição à propaganda de alimentos

– Limite o consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar (que têm elevada densidade energética)

– Diminua o tamanho das porções dos alimentos

– Estabeleça e respeite os horários das refeições

– Respeite a saciedade da criança

– Diminua o comportamento sedentário

– Promova atividades familiares

– Pratique atividades físicas

– Realize atividades físicas no horário do recreio, após a escola e nos fins de semana

– De preferência, caminhe ou ande de bicicleta em vez de usar o carro

– Use as escadas em vez do elevador

– Incentive a criança a ajudar nas tarefas domésticas que exigem atividade física, tais como: jardinagem, lavar a louça, arrumar a cama, organizar brinquedos…

– Incentive a criança a fazer intervalos de cinco minutos “para se alongar” a cada 30 minutos que passem paradas (como diante da televisão, do computador, fazendo o dever de casa)

– Incentive e brinque (família e criança) com jogos recreativos

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