Quando uma boa ideia surge, é significante que essa seja espalhada para difusão do conhecimento. Assim é o programa P.A.R.T.Y. (Prevenção do Risco de Trauma Relacionado ao uso de Álcool na Juventude), uma ação que teve início no Canadá, em 1986, no Centro de Ciências da Saúde do Hospital Sunnybrook. Através da iniciativa da enfermeira Joanne Banfield, este programa já transformou a vida de milhares de jovens. E recentemente, devido à visita de Joanne ao Brasil em 2017 e às parcerias entre as ligas acadêmicas de trauma do Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma (CoBraLT) e a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT), espera-se que o programa se propague nacionalmente.

O P.A.R.T.Y. é um programa voltado para jovens, geralmente, a partir de 15 anos, cujo a finalidade é reduzir a morte e lesões em acidentes e incidentes de trânsito relacionados com álcool, drogas e riscos. Por meio de depoimentos, gincanas, visita ao hospital (sempre com acompanhamento profissional), entre demais maneiras, os adolescentes conseguem perceber que o trânsito é um local de risco e  todos devem tomar o máximo  cuidado. Durante o programa, alunos também têm a possibilidade de conversar com pacientes que sofreram lesões irreversíveis, fazendo com que compreendam o que é viver com uma deficiência permanente e como isso afeta sua vida diária e a de sua família. Vale ressaltar que estes jovens que participam do programa estão prestes a conseguir a permissão de dirigir, e que o trauma  é a principal causa de morte nessa faixa etária.

Ao todo, o programa já atingiu mais de 100 centros cadastrados oficialmente ao programa, sendo difundido no Canadá e demais países como Alemanha, Japão e EUA. No Brasil, o programa foi implantado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP em 2008, e em 2010, a Liga do Trauma da Unicamp iniciou as visitas no Hospital de Clínicas da Unicamp, onde ganhou força e virou referência nacional. Atualmente, também existe o P.A.R.T.Y. em Sorocaba, Vitória, São Luís, São José dos Campos e Canoas.

Conforme o núcleo brasileiro, o programa tem por missão, além da educação no trânsito, gerar a consciência que suas escolhas, decisões e comportamento podem causar graves consequências (sendo essas na qualidade de vida para o indivíduo, família, amigos e comunidade). Por isso é de extrema importância que estes jovens sejam capacitados, que tenham ampla educação sobre trânsito e perigos da ingestão de bebida alcoólica com a direção. Ainda faz parte fazer com que o jovem realize uma autoavaliação e também uma avaliação do programa em curso.

O programa também atende à necessidade de escolas e demais grupos de estudantes, porém com agendamento prévio da visita e consultando disponibilidade. Primeiramente é realizada uma introdução ao programa e uma vista dos monitores à própria instituição para aplicação do pré-programa. Após questionários, adolescentes com maior risco são selecionados. A segunda parte do programa é no hospital para aulas teóricas com agentes relacionados à saúde e trânsito (EMDEC, Corpo de Bombeiros, PM, SAMU E Hemocentro), com visita ao Banco de Sangue, enfermarias e Unidade de Terapia Intensiva do Trauma. Quando a visita acaba, eles voltam para o anfiteatro e conhecem um de nossos voluntários cadeirantes, que contam sua história e as complicações de se viver na cadeira, mas finalizam mostrando que a vida não acaba no trauma.

Em entrevista, a ex-coordenadora do P.A.R.T.Y. – Unicamp, Jennifer Leme, relatou um pouco da sua experiencia:

“O P.A.R.T.Y. muda a vida de todos que fazem o programa. Em cada edição, vemos que os jovens saem do anfiteatro questionando sobre o que é colocar sua vida em risco. Muitas vezes eles sabem que beber e dirigir não é uma combinação muita boa, mas se esquecem que não atravessar na faixa ou entrar no carro de alguém alcoolizado também coloca sua vida em risco, e o programa vem exatamente fazê-los pensar sobre esse ponto. O programa brasileiro desenvolvido na Unicamp pela Liga do Trauma tem como objetivo mostrar para os adolescentes que eles são autores de suas vidas, que suas escolhas podem mudar seu futuro. Durante uma tarde, os jovens são questionados a pensar o que é trauma, como fazer escolhas seguras e como a tecnologia, drogas e bebidas alcoólicas podem levá-los a sofrer um trauma automobilístico. Todos esses questionamentos são ainda mais sedimentados com as visitas pela UTI e enfermaria, onde os adolescentes podem conversar com um paciente internado devido a um trauma, que relata a experiência da internação, suas angústias, medos e o reflexos do trauma em suas escolhas futuras. Essa conversa sempre é guiada por um ligante que encaminha o grupo a entender que se você não fizer escolhas seguras, pode algum dia estar internado devido a algum trauma. Tenho muito orgulho de dizer que fiz parte desse projeto que ajuda os jovens a refletirem sobre o que é colocar sua vida em risco e os faz propagar ideias de segurança. A cada fim do P.A.R.T.Y.,era expressivo a transformação que cada jovem e eu sofríamos”.

Certificação: Alexandre Scremin Czezacki (vice-Presidente do CoBraLT),  Gustavo Fraga, Jennifer Leme dos Santos ( ex-coordenadora do P.A.R.T.Y. Unicamp)

CompartilharShare on Facebook

Comentários

CategoryArtigos

Tradução »