O médico José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), ressalta a importância do Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março) para disseminar a consciência sobre os direitos igualitários, o bem-estar, a inclusão social e a saúde das pessoas portadoras dessa alteração genética presente em uma a cada 700 crianças nascidas no Brasil.

No que diz respeito especificamente ao coração, Dr. José Francisco explica que os portadores da Síndrome de Down merecem cuidados especiais, pois entre 40% e 50% deles apresentam cardiopatias congênitas. “Por isso, é muito importante que as mães e familiares prestem atenção nos bebês, observando a eventual ocorrência dos sintomas, pois quanto mais rápido for o tratamento, melhores são as possibilidades de cura”.

Nas duas cardiopatias congênitas mais observadas em crianças com Síndrome de Down — defeito do septo atrioventicular (DSAV) e alteração da comunicação interventricular (CIV) —, os principais sinais são cansaço durante a amamentação e na realização de esforços, dificuldade em ganhar peso e resfriados ou infecções respiratórias frequentes. “Caso o bebê apresente esses sintomas, é preciso procurar o médico rapidamente”, orienta o presidente da Socesp, indicando: “Essas duas cardiopatias devem ser reparadas por meio cirúrgico. Entretanto, o tratamento clínico e a medicação permitem um bom controle e a evolução dos pacientes até o momento certo para a operação, que é entre quatro e seis meses de vida no caso do DASV e a partir de seis meses, na CIV”. Depois da cirurgia, recomenda-se o acompanhamento clínico permanente dos pacientes.

Muitas vezes, a identificação da Síndrome de Down e/ou da existência de uma cardiopatia congênita é feita durante a gravidez. Se o ultrassom morfológico apontar qualquer alteração, a gestante deve ser encaminhada para a realização de um exame de ecocardiograma fetal. “Depois, o monitoramento pelo cardiologista pediátrico após o nascimento permitirá o estabelecimento de todos os procedimentos clínicos e cirúrgicos mais adequados a cada caso”, explica Dr. José Francisco.

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