Palavras do Anestesista

Quando se fala de procedimento cirúrgico, logo vem a pergunta?
“- E a anestesia? Tem risco?”

Hoje, para todos os procedimentos que serão realizados com anestesia, independente da técnica, é obrigatório, segundo a resolução CFM 1802/06, a AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA. Esta avaliação tem muitas funções e as principais são: conhecer o paciente, examiná-lo, checar exames necessários, definir e planejar a técnica anestésica, esclarecer sobre a anestesia que será empregada, retirar dúvidas e obter a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

Três principais dúvidas surgem no momento de agendamento cirúrgico:
• Qual o risco da anestesia?
• O médico anestesista permenecerá durante todo o tempo do procedimento?
• Qual o tempo de jejum necessário? Preciso mesmo fazer o jejum?

A anestesia geral é um procedimento bastante seguro. No entanto,como qualquer procedimento invasivo ao ser humano, possui um risco mínimo, mesmo sob as condições ideais.
O médico anestesista é o responsável por cuidar da criança enquanto ela está sendo operada, fazendo com que ela fique dormindo e sem sentir qualquer dor ou desconforto durante todo o procedimento.
A importância do jejum pré-operatório está no fato de que quando a criança está anestesiada, ela perde o reflexo de tosse, e caso venha a vomitar, o conteúdo do estômago poderá ir para o pulmão, causando um tipo de pneumonia bastante grave! Na realidade, o jejum é uma forma de aumentar a segurança para os pacientes!

Existem recomendações aceitas mundialmente acerca do tempo de jejum que deverá ser obedecido, como:

TIPO DE ALIMENTO
TEMPO MÍNIMO DE JEJUM (horas)
Líquido claro (água, chá, café)
2
Leite materno
4
Fórmula infantil
6
Leite não humano
6
Refeição leve
6
Refeição não leve
8

Dr. Airton Bentes

Palavras do Cirurgião

Tire todas as suas dúvidas com o médico que indicou a cirurgia de seu filho(a) antes do procedimento. O ideal é estar totalmente esclarecido e de acordo com a proposta de tratamento antes do final da última consulta ambulatorial. Algumas dicas para não perder o dia da cirurgia de seu filho e organizar esse dia tão difícil:

1. Observe bem a data, horário e local ao qual deverá comparecer nas consultas pré-anestésica e no dia da internação. Não esqueça de levar todos os documentos de identificação do paciente e do responsável legal que estará acompanhando a criança.

2. Trazer todos os exames pré-operatórios (Raios – X, Hemograma, exame de Urina, Coagulograma, etc.) e de imagem que foram solicitados pela equipe de Cirurgia que indicou o procedimento ou pelo Anestesista na consulta pré anestésica. Se não tiver sido solicitado exame pré-operatório, não se preocupe. Algumas cirurgias menores são realizadas seguramente sem a realização de exame de sangue ou urina.

3. Após internado, seu filho continuará em jejum seguindo as orientações do anestesista. É muito importante que esta orientação seja seguida rigorosamente, pois seu filho (a) deverá ser submetido à anestesia geral e se houver alimento no estômago, poderá ocorrer a passagem de alimentos para o pulmão. Durante o período de jejum, não é permitido água, balas, chicletes, leite, etc.

4. No dia de cirurgia, a cirurgia de seu filho (a) poderá ser suspensa pelo anestesista caso ele (a) esteja com gripe, tosse, febre, anemia importante, ou outros problemas que possam aumentar o risco de realizar o procedimento. Na falta de algum material cirúrgico ou problemas com a equipe cirúrgica a cirurgia também poderá ser desmarcada pelo cirurgião ou pela equipe.

5. Seu filho (a) poderá ficar internado ou ter alta no mesmo dia da cirurgia, dependendo do tipo de procedimento realizado. Pergunte ao seu médico qual a previsão e não se esqueça de levar os pertences de limpeza pessoal como escovas de dentes, pentes, pijama preferido, shampoo, etc. Alguns hospitais e clínicas permitem que a família leve o bicho de pelúcia ou brinquedo preferido. Os objetos que divertem as crianças em casa podem ajudar acalmando o paciente no pós-operatório, principalmente no caso de internações prolongadas.

6. Os pais ou responsáveis devem providenciar o transporte de volta para casa após a alta da criança. Não é aconselhável levar a criança em ônibus ou qualquer transporte demorado ou desconfortável. É um momento de descanso com boa dieta, sono e sem abusar das brincadeiras.

7. As orientações e cuidados pós-operatórios serão explicados após a realização da cirurgia pelo Cirurgião que realizou o procedimento.

8. O retorno será no ambulatório ou no consultório; Qualquer intercorrência após a cirurgia, antes do retorno combinado, deverá ser feito no Pronto Socorro Infantil que seu médico indicar.

Dr. Rogério Fortunato de Barros

Palavras da Psicóloga

A angústia dos pais frente à cirurgia dos filhos faz todo o sentido, pois não existe um paciente que esteja efetivamente preparado para enfrentar uma cirurgia e quando o paciente internado é uma criança, as perdas e os fatores de estresse afetam mais diretamente seus familiares. Pesquisas em psicologia pediátrica tem apontado o comportamento dos pais como principal modelo condicionador do comportamento da criança, especialmente quando se espera a colaboração dela para exames e procedimentos terapêuticos. As crianças apresentam uma leve ansiedade pré-operatória em aproximadamente 50 % dos casos e os pais podem não apenas ajudar, mas são elementos chave no processo de adaptação e enfrentamento da hospitalização infantil.
Os pais podem em alguns hospitais acompanhar os filhos no momento da indução anestésica, porém estudos recentes apontam esta medida como ineficiente, principalmente quando os pais não estão preparados para oferecer suporte à criança e se encontram eles mesmos ansiosos, desamparados e desorientados.
As crianças podem ter seu comportamento alterado em função basicamente de 2 fatores:

• Ansiedade do momento de separação
• Medo pela integridade do próprio corpo

O primeiro fator é mais frequente nas crianças mais jovens (até 8 anos). A partir desta fase, o segundo é o mais comum.
Os pais podem ter à disposição informações a respeito da cirurgia com o médico responsável e também por outros meios para poder lidar melhor com o desconhecido, mas em alguns casos, muitas informações podem aumentar a ansiedade. Uma boa consulta pré-anestésica também é fundamental para esclarecimentos de dúvidas e conhecer o verdadeiro papel do anestesiologista, assim como estabelecer uma relação de confiança com a equipe do procedimento e isto deve ser uma prioridade para todos os envolvidos.

Os pais podem ter bastante dificuldade para lidar com a ansiedade de separação dos filhos e com os medos da criança quando eles também experienciam sentimentos semelhantes e por este motivo, quando há a percepção desta alta ansiedade por parte dos pais e das crianças deve ser indicada a preparação psicológica. A escuta por profissionais da área seria o meio adequado de fazer com que os pais possam ajudar seus filhos, elaborando eles próprios os seus sentimentos acerca do que irá acontecer. Para a criança, o profissional trabalharia no sentido de construir com ela estratégias efetivas de enfrentamento da cirurgia e isto ocorreria de acordo com a necessidade de cada caso.

Dânia Prevedel Meletti

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“Para mais informações procure sempre o seu Cirurgião Pediátrico e realize uma consulta presencial antes de qualquer iniciativa”

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