Situação muito comum, principalmente para as crianças, são as quedas com trauma na cabeça. Isto ocorre muito em crianças por que a cabeça, principalmente em menores de 2 anos, é proporcionalmente maior que o corpo. Por ser mais pesada, a cabeça é mais facilmente projetada provocando o trauma.
Esta situação gera muita angústia para os pais e muitas dúvidas. As perguntas mais frequentes são: quando devo levar meu filho ao pronto socorro? Ele pode dormir? Quais são os sinais de gravidade? Precisa fazer Rx?
Felizmente, na maioria das vezes, as quedas são triviais e não provocam nenhum tipo de lesão mais grave, e não é necessário procurar o pronto socorro.
As crianças com menores de 2 anos, por ter os ossos do crânio mais “molinhos´´, são as que requerem mais atenção. As situações que estão relacionadas com maior risco são: queda em criança menor de 3 meses; queda de mais de 1 metro para crianças com menos de 2 anos e 1,5 metros para crianças maiores de 2 anos; queda de mais de 4 degraus de escada; queda de bicicleta sem capacete; acidente automobilístico com vítimas; perda de consciência por mais de 1 minuto após a queda; presença de galos na cabeça, principalmente na região das têmporas e na região de trás da cabeça; e sangramento no ouvido.
Outra questão que gera bastante anseio são os vômitos. Os vômitos que ocorrem logo após a queda geralmente estão relacionados com o choro e o “susto´´, e não significam nada mais grave. Os que mais preocupam são os que iniciam algumas horas após a queda, são repetitivos e geralmente estão associados com sonolência.
Dor de cabeça também é muito frequente após um trauma na cabeça e deve ser valorizado quando a dor é intensa e limita as atividades da criança.
Posso deixar meu filho dormir após batera a cabeça? As mãe sempre tem essa dúvida e sempre tentam manter a criança acordada. É normal a criança dormir após a queda devido ao choro e o stress. A mãe deve se preocupar com a criança que dorme e é difícil de acordar.
Quando precisa fazer Rx? Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam o Rx não ajuda avaliar a gravidade do trauma. Quando uma criança tem alguma lesão mais grave, como coágulo ou inchaço dentro da cabeça, o exame mais adequado é uma tomografia, que consegue avaliar dentro da cabeça, enquanto o Rx só avalia por fora. Mas a tomografia é um exame que tem que ser realizado com cuidado e com indicação precisa, já que envolve grande quantidade de radiação, que no futuro pode estar relacionada com alguns tipos de câncer, como leucemias e tumores cerebrais.
Mas não há motivo de medo ou de superproteger a criança, limitando o seu desenvolvimento normal. O mais importante é a prevenção. Criança deve sempre estar sob supervisão de um adulto, e medidas de segurança sempre adotadas para minimizar o trauma.
Se seu filho caiu, bateu a cabeça e está bem, sem os sintomas descritos acima, não há necessidade de avaliação médica de urgência, e sim, de observação. Na piora do quadro procurar sempre o serviço de emergência.

Resumindo:
O traumatismo cranioencefálico (TCE), refere-se a qualquer trauma na região da cabeça. É um problema comum na infância e uma das principais causas de consulta de urgência em pediatria.
Vômitos, palidez e sonolência são comuns logo após a queda e, isoladamente, não preocupam.
As primeiras 24 horas são as mais críticas. É aconselhável que a criança permaneça em companhia de alguém confiável durante este período.

Abaixo estão os principais sinais de alerta, e neste caso é necessário avaliação médica imediata:

– vômitos de repetição (geralmente com início 4-6h após o trauma);
– dor de cabeça de forte intensidade que não alivia com analgésico;
– sonolência excessiva fora do horário de dormir;
– confusão mental;
– déficit motor (não consegue mexer um membro);
– crise convulsiva;
– perda de líquido claro ou sangue pelo ouvido ou nariz;
– fontanela (“moleira´´) abaulada;
– desmaio, fraqueza, diminuição da força, formigamento nas pernas ou na metade do corpo;
– dificuldade para falar ou entender;
– diminuição da visão; e
– alteração no tamanho das pupilas.

Veja mais aqui:
Vídeo: Meu filho bateu a cabeça e agora?

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