Durante os meses mais frios, as doações diminuem. Tanto é assim que o estoque atual é de 118 litros, contra os 200 litros necessários para suprir a demanda da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Dos 40 leitos da UTI, 22 são destinados à saúde pública.

A campanha “Agosto Dourado” – voltada para a conscientização sobre a importância da amamentação e da nutrição dos bebês – foi instituída por lei no Brasil em 2017, mas o Hospital Maternidade de Campinas já se preocupava com essa questão desde 1993, quando inaugurou as atividades de seu Centro de Lactação – Banco de Leite Humano (BLH). No entanto, aproveita o esforço nacional no mês para intensificar o estímulo às mães a doarem sua produção excedente de leite para alimentar, principalmente, os bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCI).

O hospital tem 40 leitos para bebês prematuros, dos quais 22 são destinados à saúde pública (Sistema Único de Saúde – SUS). O estoque ideal para suprir a demanda é de 200 litros mensais, mas, durante o inverno, há uma queda significativa, que varia de 30% a 50% nas doações.
Apesar de o número das doadoras ativas ter aumentado de 120 para 140 entre maio e junho deste ano, o total de leite coletado em litros caiu de 133 para 118 no mesmo período, o que representa 59% do estoque ideal. Cada litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia e, por esse motivo, a campanha se faz tão necessária.

Além da divulgação da campanha junto às mães, a Maternidade também promoverá, no dia 6 de agosto, duas palestras temáticas para seus colaboradores. A primeira às 9h, será sobre “A importância da nutrição nos primeiros 1.000 dias” e será ministrada pela nutricionista Juliana Regina Niiyama. Após um coffee break, a psicóloga Flávia Dourado e a assistente social Luciana Regina Morais falarão sobre o tema “Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação, hoje e para o futuro”, seguindo o slogan da Aliança Mundial para Ação em Amamentação.

Amamentação

O aleitamento materno é a forma mais natural e segura de alimentar a criança no início da vida. O leite materno contém diversos componentes imunológicos, tornando a amamentação essencial para alcançar o crescimento e o desenvolvimento infantil adequado, e para obter benefícios para a saúde física e psíquica da mãe e do bebê.

Entre as vantagens da amamentação para o bebê estão a temperatura e sabor ideais do alimento, a fácil digestão, a proteção contra doenças e infecções, a diminuição da incidência de alergias, o desenvolvimento e o fortalecimento da musculatura facial e o reforço do vínculo mãe-filho.

Já para as mães, as principais vantagens são a diminuição do sangramento pós-parto, a prevenção contra o câncer de mama, de ovário e de útero e também contra a osteoporose.

Como doar

Para ser doadora é necessário que a mãe seja saudável, que esteja amamentando o próprio filho e que tenha uma produção excedente de leite após a mamada. O contato pode ser feito diretamente com o Banco de Leite Humano da Maternidade de Campinas pelo telefone (19) 3306-6039, para o preenchimento do cadastro.

A coleta de leite materno não se limita às mães que tenham feito seus partos na Maternidade de Campinas. As doações também podem ser retiradas nas residências das mães que moram em outros municípios da Região Metropolitana de Campinas. Nesse caso, a coleta na residência é feita por um motorista da Maternidade, acompanhado por uma técnica de enfermagem do Banco de Leite Humano, de segunda a sexta-feira. Todo o material necessário para a coleta e a estocagem – que podem ser feitas pela doadora em sua própria residência – é fornecido pelo hospital.

O leite doado é transportado para o Banco de Leite em caixas isotérmicas com gelo (geloc) e com controle de temperatura feito por termômetro digital. Para ampliar a coleta na região, o ideal seria que o hospital também tivesse um veículo exclusivo para isso. “O hospital precisa da ajuda da sociedade e da iniciativa privada para conseguir recursos para a compra de um novo veículo para esse fim”, explica o presidente da Maternidade de Campinas, Dr. Carlos Ferraz.

Exames

Para a utilização do leite doado, a Maternidade exige exames de sangue e sorológicos, provavelmente já realizados no pré-natal. Sem os resultados dos exames, o leite, obrigatoriamente, é descartado. Tendo como meta zerar o descarte, os exames de sorologia necessários para atestar a qualidade do leite doado são oferecidos gratuitamente pela Maternidade e podem ser feitos às segundas-feiras, das 13h às 15h, no ambulatório do hospital. É necessário apenas fazer o agendamento prévio.

O Ministério da Saúde preconiza que é necessário realizar as sorologias de sífilis, hepatites B e C, doença de Chagas, HTLV (Vírus Linfotrópico da Célula Humana) e HIV (Aids). As crianças internadas na UTI Neonatal têm um peso extremamente baixo e precisam de cuidados especiais. Por isso, é preciso garantir a qualidade do leite – sem qualquer contaminação.

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