Introdução

Invaginação intestinal é definida como a entrada de um segmento de intestino dentro dele próprio, como as lentes de um telescópio quando ele se dobra dentro de si mesmo. O local mais comum é na divisão do intestino delgado (fino) com o intestino grosso. É a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre três meses a cinco anos de idade. Além disso, é a mais frequente causa de abdome agudo em crianças menores de 1 ano. Seu pico de incidência ocorre entre três e dose meses, sendo rara no primeiro mês de vida. No sexo masculino, a invaginação intestinal ocorre três vezes mais que no feminino.

 

Fisiopatologia

A invaginação intestinal ocorre quando a parte proximal do intestino invade a porção distal. Esse processo leva a uma congestão e edema por comprometimento venoso e linfático. Pode haver um sangramento para dentro da luz do intestine, resultando em saída de sangue pelas fezes da criança. A estase venosa e linfática resultante dessa congestão propicia um aumento na proliferação de bactérias. As artérias também estão em estado de risco para obstrução por compressão e, quando não tratado, a parte que adentrou pode  sofrer processo isquêmico (falta de oxigênio) e, com o tempo, irá evoluir à necrose e possível perfuração.

Etiologia

Em aproximadamente 75% dos casos, em pacientes entre três meses e cinco anos, a etiologia é idiopática (sem causa definida). Em um terço dos casos após dois anos de idade e em metade das invaginações recorrentes, a etiologia está associada a comprometimento anatômico, como: divertículo de Meckel, pólipos, tumores, etc. Como etiologia, também estão presentes doenças parasitárias, enterites bacterianas, fibrose cística e outras.

Sinais e Sintomas

  1. Febre
  2. Parada de eliminação das fezes
  3. Eliminação de fezes com sangue e muco com aparência de geleia de framboesa
  4. Dor intensa de início súbito. A dor pode ter períodos de melhora em intervalos de 5 a 30 minutos
  5. Irritação
  6. Vômitos
  7. Distensão abdominal
  8. Massa palpável no abdome

Tratamento

Por tratar-se de uma condição em que a evolução pode levar a graves complicações, o tratamento é aquele que alivia o sintoma por redução da obstrução. Assim, há dois métodos: o não-operatório e o operatório.

O método não-operatório é feito por redução hidrostática por enema opaco, por soro fisiológico ou insuflação de ar e tem uma taxa de sucesso variável entre 20% e 80%. Já no método operatório, a redução pode ser feita de forma manual, e é indicado aos casos que  recebem contra-indicação da redução hidrostática/pneumática, como em paciente com suspeita de perfuração intestinal, choque e sepse. Independentemente da técnica utilizada para colocar o intestino no seu local habitual, o tempo entre a ocorrência da invaginação e a sua redução é determinante na evolução desse paciente. Acima de 48h, aumenta sobremaneira o risco de morte.

Complicações

A Invaginação intestinal, por ser uma doença obstrutiva, inclui complicações, como desidratação, isquemia e necrose da parte intestinal acometida, podendo progredir para sepse e até óbito. Quando a necrose acomete um segmento intestinal de tamanho significante, o pós-operatório pode vir associado à ileostomia (boca do intestino é provisoriamente aberta para a pele do abdome), e possivelmente, à síndrome do Intestino Curto.

Quando procurar ajuda médica?

Se a criança apresentar dor abdominal severa, irritabilidade, vômitos, fezes com sangue e sonolência, procurar imediatamente ajuda médica. Lembre-se, o tempo é determinante no sucesso do tratamento dessa doenç,a que é benigna e, se tratada adequadamente, não deixa sequelas.

 

 

 

CompartilharShare on Facebook

Comentários

Write a comment:

*

Your email address will not be published.

Tradução »