A fimose é um estreitamento fixo na pele do pênis, chamada prepúcio, que impede ou dificulta a exposição da glande. É bastante comum nos meninos ao nascimento um estreitamento chamado de fisiológico pois costuma se modificar com o crescimento da criança. Nos recém-nascidos, 96% apresentam estreitamento no prepúcio e esse percentual diminui para cerca de 10% após o quinto ano de vida. A fimose é classificada, de acordo com o grau de estreitamento, conforme indicado em figura abaixo:

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Tabela 1 – Classificação de Fimose

  1. Grau 1 – impossível a visualização do meato uretral (figura a).
  2. Grau 2 – visualização do meato uretral e parcial da glande. Anel estenótico (Figura b).
  3. Grau 3A – anel estenótico, estreito com explosição da glande com dificuldade (fugura c).
  4. Grau 3B – anel estenótico com explosição da glande com facilidade (figura c).

Uma temida complicação da fimose é a Parafimose. A Parafimose acontece quando acidentalmente alguém expõe a glande de um paciente com uma fimose grau 2 ou 3A e não reduz o prepúcio, ou seja não consegue recobrir a glande, ocasionando o inchaço progressivo e consequente aprisionamento da glande (requer tratamento de urgência – vide parafimose).

A aderência bálano-prepucial, ou acolamento, é a simples adesão da pele do prepúcio à glande. Quando não está associada à fimose, geralmente não requer tratamento cirúrgico. Pode ser descolada pelo próprio paciente, durante manipulação para higiene, masturbação ou na primeira relação sexual, podendo ocasionar dor e/ou sangramento. Se houver desejo familiar de descolar a aderência para facilitar a higiene, esta pode ser feita pelos próprios familiares ou médicos, com anestesia local, associada ou não à anestesia geral, dependendo da idade e perfil psicológico do paciente.

O diagnóstico de todas essas condições é clínico, feito pelo médico após exame em consulta de rotina. Não é necessário nenhum outro exame complementar.

A fimose pode causar:

  • dificuldade em urinar
  • risco aumentado de infecção urinária de repetição
  • risco aumentado de parafimose
  • risco aumentado de infecções no prepúcio (balano-postites)
  • risco aumentado de doenças sexualmente transmissíveis (HPV, HIV)
  • dor nas relações e nas masturbações no caso dos adolescentes
  • dificuldade de realizar a limpeza da região ocasionando mau cheiro e aumentando a incidência de tumores penianos

Tratamento

O tratamento clínico com pomada ou creme de corticoides tem uma taxa de sucesso de cerca de 60%, quando bem orientado e realizado pelos pais e/ou pacientes. Lembre-se de sempre reduzir o prepúcio após aplicar a pomada para diminuir o risco de parafimose. Na idade adequada, em média até o quinto ano de vida, permite-se até 2 ou 3 tentativas da pomada antes de indicar a cirurgia, que em crianças, inclui uma anestesia geral e apresenta riscos e complicações.

Em alguns casos, por questões religiosas ou dificuldade na realização do tratamento clínico, pode ser optado, em conjunto com os familiares por antecipar a realização da cirurgia, compreendendo-se a assumindo o risco anestésico-cirúrgico que o  todo e qualquer procedimento apresenta.

O tratamento cirúrgico da fimose é conhecido como postectomia ou circuncisão e consiste na retirada do excesso de pele que recobre a glande peniana, incluindo a porção que encontra-se estreitada para possibilitar a exposição indolor da glande, mesmo durante ereção, favorecendo a limpeza regular.

Há duas técnicas cirúrgicas utilizadas: com pontos em toda a volta do pênis ou utilizando um anel plástico (Plastibell®). Tanto os pontos quanto o anel plástico caem sozinho após 2-4 semanas da cirurgia e os resultados são equivalentes. A escolha da técnica a ser utilizada é feita pelo cirurgião e familiares.

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    1) Pênis normal                              2) Pênis Circuncisado

Complicações do tratamento cirúrgico:

  • Infecção
  • Sangramento
  • Parafimose no anel de Plastibell®
  • Necessidade de reoperação
  • Necrose peniana (muito raro, geralmente em casos onde o acesso do paciente ao serviço de saúde não foi feito de maneira prioritária)

Benefícios em potencial da circuncisão:

  • Diminui o risco de infecção urinária
  • Diminui o risco de infecção no prepúcio
  • Diminui o risco de câncer no pênis, câncer de próstata e de câncer no colo do útero da parceira
  • Diminui o risco de infecção pelo HIV, mas não exclui a necessidade de camisinha em todas as relações
  • Zera o risco de parafimose quando bem operado

“Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico”

“Para mais informações procure sempre o seu Cirurgião Pediátrico e realize uma consulta presencial antes de qualquer iniciativa”

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