Estrabismo é a falta de paralelismo entre os olhos que se manifesta como desvio (vesguice). Os desvios podem ser convergentes, divergentes, verticais ou mistos (figura 1), podendo ter causas congênitas ou adquiridas.

Figura 1) Tipos de Estrabismo

a) estrabismo convergente (figura a)
estrabismo-1a

b) estrabismo divergente (figura b)
estrabismo-1b

c) estrabismo divergente e vertical (figura c)
estrabismo-1c

As causas do estrabismo congênito não são ainda totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores genéticos exercem papel importante na gênese desses desvios.

Já os estrabismos adquiridos, que aparecem após os seis meses de vida, tem como causas mais frequentes: falta de óculos em casos de alta hipermetropia (alto grau positivo) e paralisias dos nervos que comandam a movimentação os olhos (por traumatismos, falta de oxigênio ou infecção). Outras causas menos frequentes: perda da visão em um dos olhos (por traumatismos, catarata, tumores) e doenças musculares, como a miastenia gravis.
As consequências do estrabismo na infância podem ser drásticas, porque a criança deixa de enxergar com os dois olhos juntos, perdendo a visão de profundidade (3D). Isso ocorre porque, para não ter visão dupla, ela passa a usar um olho de cada vez, num sistema de liga-e-desliga chamado de supressão. Ou, pior, passa a enxergar com apenas um dos olhos mantendo o outro “desligado” o tempo todo. Nessa última situação, o olho que deixou de ser usado pode tornar-se amblíope.
O olho amblíope, ou seja, acometido por ambliopia, é aquele, cujo desenvolvimento da visão foi bloqueado, por estar em supressão constante.

Felizmente, a ambliopia é reversível e, com tratamento precoce, o olho amblíope pode ser novamente ativado e o desenvolvimento visual retomado. O tratamento consiste na oclusão do olho fixador para ativar o olho sob supressão. A oclusão pode ser feita utilizando-se oclusores aderentes à pele (Figura 2) ou, dependendo da indicação do oftalmologista, na lente dos óculos.

Tratamento Oclusivo da Ambliopia -Figura 2
estrabismo-figura-2

Porém, existe um limite de idade para que a criança volte a enxergar. A partir dos cinco anos a resposta ao tratamento vai se tornando mais demorada devido à diminuição da plasticidade do sistema neurosensorial. Até que, se a criança atingir sete anos sem ter recebido nenhum tratamento prévio, as chances de recuperação da visão são praticamente nulas.

Assim, a criança estrábica deve ser encaminhada o mais rápido possível ao oftalmologista pediátrico, o qual investigará as possíveis causas do estrabismo e iniciará as etapas do tratamento.
De maneira geral, essas etapas são:

a) prescrição de óculos quando necessário para melhorar a visão e, em alguns casos, também relaxar a convergência. Existem casos de estrabismo convergente, chamados acomodativos, que são tratados apenas com óculos. Quando a criança inicia o uso de óculos, a convergência entre os olhos se relaxa e o paralelismo normal é obtido. Porém, nesses casos, quando a criança tira os óculos o desvio volta a aparecer.

b) tratamento da supressão através da oclusão do olho fixador. Após a obtenção da equivalência visual, isto é, restabelecimento da visão do olho amblíope, se o estrabismo ainda permanecer, será necessário o tratamento cirúrgico do desvio.

O tratamento cirúrgico do estrabismo, além de resgatar a aparência normal do olhar prevenindo problemas de natureza psicossocial, tem como maior benefício a chance de devolver à criança a visão binocular, que é a visão de profundidade chamada de estereopsia ou visão 3D.

É realizado sob anestesia geral, e consiste em procedimentos que enfraquecem os músculos hiperfuncionantes e fortalecem os músculos debilitados, restabelecendo o equilíbrio de forças entre eles. A Figura 3 ilustra o passo inicial da cirurgia de estrabismo que é a abordagem muscular sob a membrana conjuntiva.

Cirurgia de Estrabismo – Figura 3
estrabismo-figura-3

É importante lembrarmos que em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico oftalmologista.

“Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico”

“Para mais informações procure sempre o seu Oftalmologista Pediátrico e realize uma consulta presencial”

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