Engana-se quem pensa que dor de cabeça ocorre apenas em adultos. Crianças também podem ser acometidas pela dor e isso tem se mostrado bastante comum. Quase 2 milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem com esse mal pelo menos dez dias por mês. Apesar do número alarmante, muitos casos não são tratados, pois nem sempre a criança consegue explicar aos pais e/ou familiares o que está sentindo.

Por isso, é importante que os pais ou responsáveis estejam atentos aos sintomas da enxaqueca e saber quais passos tomar quando identificar a doença. A enxaqueca em crianças não é simples de identificar. Uma dica é observar atentamente se ela produz algum impacto na rotina. Alguns sinais podem servir de alerta:

– Criança se queixa de dor quando está em lugares barulhentos (fonofobia) e em lugares com muita iluminação (fotofobia). Geralmente, a mesma se recolhe e quer dormir. É comum pedir para não ir à escola, que é um lugar com barulho elevado.

– Criança reclama que a dor vai e vem. A partir de cinco crises na vida, pode ser diagnosticado como enxaqueca.

– Criança fica abatida e com os olhos fundos.

Saber a diferença da dor de cabeça em adulto e em criança pode ajudar a identificar o problema. Geralmente, as crianças têm crises leves e curtas. A enxaqueca crônica costuma durar entre 30 minutos e uma hora (em adultos, a duração é de, no mínimo, 4 horas). Podem ocorrer, em crises intensas, náuseas e vômitos.

A dor de cabeça na criança costuma ser na testa ou nas têmporas do rosto (a qual fica nas duas regiões laterais da cabeça, acima do osso da bochecha). Nos adultos, a dor costuma ser apenas de um lado. O tratamento depende da frequência, da intensidade e dos gatilhos (pequenos pontos de tensão que podem gerar dor) de dor. A dose da medicação é adaptada ao peso de cada criança. Os gatilhos são qualificados de duas formas: modificáveis e não modificáveis (quando o gatilho é algo que não pode ser alterado). Os gatilhos modificáveis são: má alimentação, jejum prolongado e falta sono. Já os gatilhos não modificáveis referem-se ao barulho, esportes, cheiros, estresse e mudança climática.

A observação dos sinais listados acima é imprescindível para concluir se o seu filho sofre com o problema. Isto é, o mais importante é ficar atento aos sinais e procurar ajuda em caso de dores de cabeça frequentes.

E, atenção: a enxaqueca é uma doença hereditária. Por isso, se a família possui casos, desconfie se a criança reclamar de dor e consulte um médico neurologista para averiguar a enxaqueca e indicar o tratamento medicamentoso adequado.

O médico é o especialista adequado para fazer exame físico da criança. Poderá solicitar exames, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, punção lombar, que serão realizados somente se uma condição séria é suspeita.

Dr. Cesar Casarolli é neurocirurgião e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN)

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