Definição

A displasia do desenvolvimento do quadril é termo médico para o osso do quadril que não contém apropriadamente o osso da coxa. Isso permite que a articulação ou junta do quadril fique parcialmente ou totalmente deslocada. A maioria das pessoas com a displasia do desenvolvimento do quadril nasce com este problema.

Quadro Clínico

Os sinais e sintomas variam dependendo da idade. No recém-nascido, observamos que a perna acometida não consegue ser aberta completamente durante uma troca de fralda, por exemplo (Figura 1). Outro achado é uma perna parecer mais curta que a outra (Figura 2) ou até mesmo um lado da nádega se mostrar com mais “dobras” do que o outro (Figura 3).

Figura 1 – Imagem clínica de um paciente com displasia do desenvolvimento do quadril e limitação de abertura do quadril direito (sinal de Hart).

Figura 2 – Imagem clínica de um paciente com displasia do desenvolvimento do quadril e aparente encurtamento do membro inferior direito (sinal de Galeazzi).

Figura 3 – Imagem clínica de um paciente com displasia do desenvolvimento do quadril e assimetria das pregas glúteas (sinal de Peter Bade).

 

Quando a criança começa a andar, pode-se perceber que a criança manca, mas não tem dor. Nos adolescentes e adultos jovens, a displasia do quadril pode causar complicações dolorosas, tais como osteoartrose (desgaste da junta do quadril) ou lesão do labrum. Isto pode causar dor na virilha relacionada ao exercício. Em alguns casos, o paciente pode sentir instabilidade no quadril.

Causas

A articulação ou junta do quadril é composta por dois ossos: o acetábulo, que faz parte da bacia e é uma estrutura semelhante a uma concha de sorvete, e a cabeça do fêmur, que é a porção superior do osso da coxa, tem um formato redondo na parte de cima, assemelhando-se a uma bola de sorvete. Portanto, a articulação do quadril é do tipo bola-soquete, em que a cabeça do fêmur se encaixa perfeitamente dentro do acetábulo, como uma bola de sorvete dentro da concha.

No nascimento, a articulação do quadril é composta por cartilagem macia, que, gradualmente, vai endurecendo até virar osso. A cabeça do fêmur e o acetábulo precisam estar bem encaixados, pois eles servem de molde um para o outro durante o amadurecimento da cartilagem. Se a cabeça do fêmur estiver fora do centro do acetábulo, ela não conseguirá estimular o desenvolvimento do acetábulo para que ele se forme arredondado, com encaixe perfeito ao redor dela. Com isso, o acetábulo se formará muito raso.

Durante o último mês antes do parto, o espaço dentro do útero pode ficar tão apertado que a cabeça do fêmur pode sair da sua posição ideal, resultando em um acetábulo raso, ou seja, resultando em uma displasia do desenvolvimento do quadril. Os fatores que diminuem o espaço dentro do útero são:

– Primeira gravidez

– Bebê grande

– Apresentação pélvica, ou seja, a criança fica na posição sentada ou invés de de cabeça para nascer

Fatores de Risco

A displasia do desenvolvimento do quadril tende a acometer vários membros da mesma família, principalmente as meninas. O risco de displasia também é maior nos bebês que nascem em apresentação pélvica ou com deformidades nos pés.

Complicações

Com o decorrer da idade, a displasia do quadril pode danificar o labrum, que é a borda do acetábulo. Isto é chamado de lesão labral. A displasia do quadril também pode aumentar o risco de osteoartrose (desgaste na junta). Isto ocorre devido à maior pressão nos pontos de contato da junta. Como a junta não fica perfeitamente encaixada, a carga não se distribui de maneira adequada, deixando pontos de maior pressão dentro dela. Ao longo dos anos, estes pontos sofrem desgaste da cartilagem, causando a osteoartrose.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, através do exame físico, e comprovado por ultrassonografia e radiografia simples. Durante o primeiro exame físico do recém-nascido e todos os outros subsequentes até a alta hospitalar, o pediatra ou neonatologista faz uma manobra no quadril para detectar uma alteração que ocorre nos pacientes que têm incongruência da junta do quadril. Esta é a manobra de Ortolani.

Casos leves de displasia tendem a não se manifestar até alguns anos mais tarde, na adolescência ou vida adulta jovem, e podem ser difíceis de diagnosticar. Se houver suspeita de displasia, pode ser necessário fazer alguns exames. A ultrassonografia é o melhor exame para detectar displasia do desenvolvimento do quadril no recém-nascido. A partir dos 6 meses aproximadamente, a radiografia simples já substitui este exame (Figura 4).

Diagnóstico Diferencial

– Paralisia cerebral

– Mielomeningocele

– Agenesia sacral

– Síndrome de Morquio

– Artrogripose

– Miopatia congênita

– Síndrome de Ehlers-Danlos

– Artrite séptica

– Deficiência focal femoral proximal

Figura 4 – Imagem radiográfica de um paciente com displasia do desenvolvimento do quadril à direita.

Tratamento

O tratamento da displasia do desenvolvimento do quadril depende da idade de diagnóstico e da extensão da lesão articular. Bebês geralmente são tratados com o suspensório de Pavlik (Figura 5), que segura a cabeça do fêmur dentro do acetábulo, em uma posição concêntrica, através da contenção dos movimentos do quadril. O suspensório deve ser usado por meses. Isto ajuda a cabeça do fêmur a moldar o acetábulo no formato de uma concha.

Figura 5 – Imagem clínica de um paciente com o suspensório de Pavlik.

O suspensório não funciona bem para crianças maiores que 6 meses. A alternativa pode ser reposicionar o osso e colocar um gesso pelvico-podálico. Às vezes, cirurgia é necessária. Crianças mais velhas e adultos geralmente precisam de cirurgia para correção da displasia do quadril. Nos casos leves, a condição pode ser tratada por astroscopia (cirurgia por vídeo, minimamente invasiva).

Se a displasia for mais grave, a posição do quadril também deve ser corrigida. Isto é possível através de uma cirurgia mais extensa (osteotomia periacetabular), na qual o osso do acetábulo é separado da bacia e reposicionado mais adequadamente.

Se a displasia tiver prejudicado demais a articulação e não houver maneira de consertar, dependendo da idade do paciente e de outros fatores, pode estar indicado colocar uma prótese de quadril.

Conclusão

A displasia do desenvolvimento do quadril é uma doença potencialmente grave se não detectada precocemente. Quando o diagnóstico é precoce, a maioria evolui bem com tratamento simples de contenção com o suspensório de Pavlik.

É importante observar seu bebê durante as trocas de fralda e quando começar a andar, e sempre levar qualquer dúvida ao pediatra. O pediatra saberá quando deverá encaminhar ao ortopedista para uma avaliação mais detalhada.

Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico.

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