Você já levou seu filho ao oftalmopediatra? Se ainda não fez isso, é hora de procurar este especialista, mesmo que a criança não tenha nenhum problema de visão aparente. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% das crianças em idade escolar apresentam distúrbios oftalmológicos por conta dos erros refrativos. Destes, aproximadamente 5% têm redução grave de acuidade visual, equivalente a menos de 50% da visão normal. Os erros refrativos não corrigidos (miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia) são a principal causa de deficiência visual em crianças e adolescentes no mundo.

O último levantamento da Organização Mundial da Saúde mostra que 80% dos casos de deficiência visual no mundo poderiam ser evitados, por serem possíveis de prevenir e tratar, quando diagnosticados a tempo. A OMS responsabiliza os erros refrativos não corrigidos por 53% dos casos de comprometimento da visão em nível mundial (considerando todas as idades) e estima que 12 milhões de crianças precisam de correção óptica. Antes da criança completar o primeiro ano de vida, levá-la ao oftalmologista é uma maneira de prevenir a cegueira infantil e desenvolver uma visão de qualidade. Mas, antes de chegar na alfabetização, é importante fazer novo check up ocular, já que nesta fase, o olho humano completa o desenvolvimento funcional definitivo (que ocorre em torno dos seis ou sete anos de idade).

O check-up é uma avaliação clínica oftalmológica realizada por meio de exames, como fundo de olho e aferição da pressão ocular, que analisam as condições visuais e identificam possíveis doenças, prevenindo problemas oculares graves. A deficiência visual na infância acarreta sérios prejuízos, comprometendo aprendizado e desempenho escolar, autoestima, e também o desenvolvimento global da criança. É necessário também cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos, hábitos valiosos para resguardar a visão que, cultivados desde cedo, farão diferença no futuro das crianças.

Lista de cuidados com a saúde ocular na infância e adolescência:

ANTES DO NASCIMENTO

Rubéola e toxoplasmose podem causar cegueira e problemas neurológicos na criança, por isso o acompanhamento pré-natal e a realização de sorologias são imprescindíveis.

AO NASCER

Ao nascer, a criança enxerga pouco e a visão vai se desenvolvendo no decorrer dos anos. Qualquer doença ocular ao nascimento, como a catarata e o glaucoma, pode prejudicar totalmente este desenvolvimento. O teste do reflexo vermelho, também chamado de “teste do olhinho”, deve ser realizado ainda na maternidade. Ele é capaz de detectar estas e outras doenças, às vezes gravíssimas, como o retinoblastoma (um tipo de câncer ocular) precocemente. Além disso, o bebê que lacrimejar muito, tiver mancha branca na menina dos olhos (pupila), olhos anormalmente grandes ou, ainda, que não suporte a claridade deve ser levado ao oftalmologista.

DURANTE A INFÂNCIA

A visão se desenvolve durante a infância, alcançando a maturidade por volta dos cinco anos de idade. Por isso, é muito importante que problemas de visão sejam tratados o quanto antes. Com o início da vida escolar, é possível perceber a presença de problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) que podem prejudicar o aprendizado. Outro problema importante que precisa ser corrigido ainda na infância é a ambliopia ou “olho preguiçoso”. É uma situação na qual a visão não se desenvolve plenamente em um dos olhos, embora sua aparência seja normal. Com o passar do tempo, o cérebro ignora as imagens que vêm deste olho “fraco”, de tal forma que ele perde a visão. O portador de ambliopia tem dificuldade para perceber distâncias e profundidade, além de correr riscos de cegueira total, caso venha algum dia a perder a visão de seu olho saudável. “A ambliopia pode ser curada se o tratamento for realizado antes que a visão tenha atingido a maturidade. Por isso, mesmo que não apresente aparentemente nenhum problema de visão, a criança deve ser examinada por um oftalmologista em seus primeiros anos de vida”, ressalta Homero Gusmão de Almeida.

NA ADOLESCÊNCIA

Durante a adolescência e a puberdade, com frequência são diagnosticados os problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia). Entre os 13 e 20 anos, as pessoas estão sujeitas ao aparecimento do ceratocone, uma doença que provoca irregularidade da córnea, às vezes acompanhado pelo hábito de coçar excessivamente os olhos. Muitas vezes, o ceratocone não é percebido pelos adolescentes, pois os sintomas (aumento da sensibilidade à luz e baixa da qualidade de visão, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato) são pouco percebidos por eles.  Apesar de não ter cura, os tratamentos disponíveis podem melhorar a visão, estabilizando o problema e reduzindo a deformidade da córnea. “Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor é o resultado do tratamento. Por isso, adolescentes devem ser submetidos a uma consulta oftalmológica, mesmo que não apresentem queixas”, destaca o presidente do CBO.

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