O medo ainda é bastante comum quando o assunto é procedimento cirúrgico. Mas quando o paciente é uma criança, o sentimento se estende a todos da família. A hérnia inguinal é uma patologia muito comum entre os pequenos, porém, pode ocorrer em todas as idades: estima-se que 5% da população mundial já teve, tem ou terá a doença. E embora o percentual de cura seja alto (98%), quando não tratada, a hérnia inguinal pode levar ao óbito.

“Assim como várias outras doenças, quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil tratar. Às vezes o diagnóstico é feito no berçário, no prematuro… e quando isso acontece, não se deve dar alta para a criança enquanto ela não for operada. É um procedimento simples e realizado através de técnicas minimamente invasivas que auxiliam na recuperação breve do paciente. Mas quando não realizado ou tratado em tempo, pode se tornar uma condição de urgência e, infelizmente, até fatal”, explica o Dr. Márcio Lopes Miranda, professor universitário e cirurgião pediátrico da UNICAMP.

A incidência da patologia foi um dos principais fatores que levaram o médico a popularizar as informações sobre o tratamento da hérnia inguinal. E a forma encontrada foi a mais lúdica e didática possível: uma história em quadrinhos. “Costumo dizer que a dor é inevitável, mas o médico, com os devidos recursos, sabe tirá-la. Só que a falta de informação leva os envolvidos a um sofrimento psíquico que não se consegue medir, embora seja possível amenizar. Por isso, é importante explicar para o paciente tudo o que vai acontecer com ele, os caminhos até o pós-operatório. Já tenho algumas publicações médicas, mas o gibi é um sonho antigo e a primeira obra literária. Então a intenção foi justamente essa, tornar a informação mais acessível, com um olhar mais voltado para o paciente e sua família, possibilitando trazer essas pessoas para mais próximo do médico”, comenta Miranda.

Luke e Dr. Mário em: GOL DE PLACA conta a história de Luke, um menino serelepe e bastante curioso que descobre ter hérnia inguinal ao identificar um desconforto durante a atividade que mais gosta: jogar bola. No consultório do Dr. Mário, o menino deixa o medo de lado e passa a conhecer todos os processos para a cura da doença. Em 16 páginas, o gibi passeia por todas as fases, da descoberta dos sinais e sintomas até a consulta de retorno para alta do paciente, desmistificando qualquer mito acerca do procedimento cirúrgico.

“Não precisa ser um processo ruim. É uma doença que precisa de cuidados, de cirurgia, mas que tem cura. Temos, inclusive, formas de amenizar o impacto psicológico do procedimento com uma coisa simples, que é a informação colocada de uma forma clara e objetiva. Senti essa necessidade principalmente quando passei para o outro lado e me tornei pai; meu filho me faz perguntas e eu sempre busco uma forma mais próxima à linguagem dele para explicar. Então foi isso que busquei passar com a história, até porque eu gostaria que lidassem comigo dessa forma, com sinceridade e humanismo”, encerra o médico.

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