Com o avanço da medicina regenerativa, o armazenamento de células-tronco tem se mostrado uma alternativa cada vez mais segura para tratamentos de saúde inovadores no futuro. E as células-tronco encontradas na polpa do dente de leite, que são do tipo mesenquimais, estão ganhando cada vez mais espaço porque possuem maior versatilidade e podem se transformar em diferentes tipos de células.

As células-tronco da polpa do dente de leite são as mais similares às células embrionárias, portanto, têm um grande potencial de diferenciação. Elas dão origem a todos os tecidos sólidos do corpo, como cartilagem, osso, gordura, músculo e até tecido nervoso. Sua extração também é minimamente invasiva e não envolve os dilemas éticos como os relacionados às células obtidas de embriões. Além disso, elas apresentam excelente potencial de multiplicação quando comparadas aos outros tipos de células-tronco.

As células-tronco da polpa do dente de leite são retiradas em um procedimento simples no consultório odontológico. Logo em seguida, ela é encaminhada para uma empresa de armazenamento deste tipo de material. Mas, segundo Daniela Carvalho França, Mestre e Especialista em Odontopediatria, que realiza este tipo de coleta, é necessário fazer uma programação para a extração do dente. “Não é possível retirar células-tronco de qualquer dente. Ele precisa ter 1/3 da raiz preservada e não pode ter cárie. Por isso, os pais devem procurar um odontopediatra credenciado para fazer a coleta. Nós daremos a orientação sobre os procedimentos e sobre quando a extração deve ser realizada”, explica.

As células podem ser coletadas entre os seis e 12 anos de idade, quando acontece a troca dos dentes de leite pelos permanentes. “Mas quanto mais cedo acontecer a extração do dente de leite, melhor a qualidade das células-tronco”, explica a odontopediatra. “O ideal é que a coleta seja feita entre 5 e 9 anos de idade”, orienta.

Segundo a odontopediatra, o dentinho que caiu em casa não pode ser utilizado para a preservação de células-tronco. “A extração precisa ser feita em consultório e segue um protocolo para evitar qualquer tipo de contaminação. O dente, inclusive, é colocado em um recipiente apropriado, fornecido pela empresa que faz o armazenamento, e tem um tempo máximo de transporte”, comenta Daniela.

 Qual a diferença entre células-tronco do cordão umbilical e do dente de leite?

De acordo com José Ricardo Muniz Ferreira, presidente da empresa da R-Crio, que faz armazenamento de células-tronco em Campinas, apesar de terem características comuns, as células-tronco variam conforme a origem e a capacidade de formar tecidos e órgãos do corpo humano. As células do cordão umbilical, chamadas hematopoiética, precisam ser retiradas logo após o parto e são capazes de se diferenciar em células sanguíneas: hemácias, glóbulos brancos e plaquetas. Podem ser usadas em doenças como leucemia, linfomas, anemias, imunodeficiências, etc.

Já as células-tronco do dente de leite, que são as mesenquimais, podem ser extraídas de um dos 20 dentes de leite da criança. Portanto, em mais de uma oportunidade. Elas podem se transformar em todos os tipos de tecidos sólidos do corpo. Os tratamentos possíveis e os estudos apontam que podem ser utilizadas desde casos como queimados até doenças mais complexas, como Alzheimer, Autismo e Diabetes. Também existem pesquisas com este tipo de células para a geração de órgãos em laboratório.

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