A cárie dentária é a doença crônica mais comum da infância, consistindo em um grande problema de saúde pública.
Um fator importante que deve ser considerado é que ela pode ser prevenida, controlada ou mesmo revertida. A evolução da doença é capaz de causar grande destruição dos dentes, ou até mesmo sua perda, podendo resultar em complicações locais, sistêmicas, psicológicas e sociais.

A presença de lesões de cárie em bebês ou em estágios muito avançados em crianças pode caracterizar a cárie severa da infância.
Para a Academia americana de Odontopediatria, qualquer dente cariado antes dos 71 meses de idade define a cárie precoce da infância. Porém, quando acontece com características particulares antes dos 3 anos, ela é mais severa. Ela é de natureza rampante, aguda e progressiva. Esse tipo de Cárie é o popularmente conhecido como “cárie de mamadeira”.
Para a sua ocorrência, há necessidade de bactérias específicas, mas principalmente de açúcar consumido de forma constante e sem escovação posterior.
Hábitos como o uso irrestrito da mamadeira e dormir mamando (sucos de frutas industrializados, chás adoçados, leite fermentado, leite com carboidratos fermentáveis como farináceos e açúcar), estão associados ao desenvolvimento da cárie severa. Dentre os hábitos familiares, os que mais contribuem para o seu desenvolvimento são: dormir com mamadeira, dificuldade de higiene dental e manter líquidos na boca por período prolongado, principalmente durante o sono, fase em que o fluxo salivar é reduzido.
Dentes de leite com alterações de desenvolvimento de esmalte são mais vulneráveis ao desenvolvimento da doença. Crianças imunossuprimidas, em tratamentos oncológicos ou reumatológicos, podem estar mais susceptíveis.
O aleitamento materno prolongado, acima dos 12 meses, durante a madrugada e em alta frequência também está associada a Cárie severa.


Aspecto clínico

Clinicamente os dentes apresentam manchas brancas e opacas (áreas desmineralizadas) localizadas perto da gengiva (Figura 1). Com a evolução da doença, as manchas se tornam cavidades (Figura 2) que se não forem tratadas, podem levar à destruição de toda a coroa (Figura 3), até a perda do dente. A cárie severa apresenta um padrão de desenvolvimento iniciando-se pelos dentes anteriores superiores (evidenciado pela Figura 1). Em seguida os primeiros molares superiores e inferiores, caninos superiores e inferiores e segundos molares superiores e inferiores. Um indivíduo que teve lesões de cárie nos dentes anteriores superiores, não necessariamente terá nos demais, se houver intervenção.

 

Carie severa do lactente  - Figura 1 Dentes deciduos com manchas brancas de lesoes de carie

Figura 1- Dentes decíduos com manchas brancas de lesões de cárie

Carie severa do lactente - Figura 2 Dentes deciduos com lesoes de carie em estagios avancados.

Figura 2- Dentes decíduos com lesões de cárie em estágios avançados.

Carie severa do lactente - Figura 3 Destruicao da coroa dos dentes deciduos por lesoes de carie

Figura 3- Destruição da coroa dos dentes decíduos por lesões de cárie.

O tratamento da cárie severa da infância, visa restabelecer o equilíbrio e a saúde bucal do paciente por meio do controle dos fatores etiológicos e das causas do desequilíbrio (exemplos: controlando o uso irrestrito da mamadeira e eliminando a mamada noturna), além de devolver função e estética. Quanto ao tratamento das lesões cariosas, ao contrário do que era preconizado no passado, o mais utilizado é o da mínima intervenção, preservando o máximo de estrutura dentária sadia e sendo o mais confortável possível ao paciente. Os diferentes estágios de progressão das lesões, bem como a sua atividade, requerem diferentes condutas de tratamento. Os responsáveis pela criança possuem um papel fundamental na melhora do quadro da doença, bem como em sua manutenção pós tratamento.

“Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o odontopediatra”
“Para mais informações procure sempre o seu Cirurgião Dentista e realize uma consulta presencial antes de qualquer iniciativa”

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