A falta de ânimo para brincar, uma ligeira queda no pique para fazer as atividades diárias ou pedidos de colo muito recorrentes podem ser sinais de que não está tudo bem com a saúde da criança. Se, além desse cansaço frequente, a criança estiver com chiado no peito, tosse e falta de ar, é importante buscar ajuda médica. Pode ser asma.

Segundo a Pesquisa Mundial de Saúde, estima-se que 300 milhões de pessoas sofram de asma em todo mundo e há, ainda, a projeção de que esse número chegue a 400 milhões até 2025, levando em conta a urbanização da população.

Asma é a doença crônica mais comum na infância e a maior causa de morbidades nesta idade, como mensurado por ausências escolares, hospitalizações ou idas à emergência hospitalar. A asma normalmente tem início precoce: em até metade das pessoas com asma os sintomas começam na infância, e a doença ocorre ainda mais cedo em meninos do que em meninas. Atopia está presente na maioria das crianças asmáticas que possuem 3 anos ou mais, e sensibilidade a algum alérgeno é um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento da asma.

Na infância, infecções virais que atingem o trato respiratório são muito comuns. Destas infecções, derivam sintomas muito parecidos com a asma, como chiado e tosse. Em crianças com menos que 5 anos, principalmente entre 0 a 2 anos, muitas vezes a distinção entre o agente causador dos sintomas não é fácil, mas é importante para definição do melhor tratamento.

Por isso é preponderante diferenciar asma, uma doença inflamatória crônica que não tem cura, de bronquite, que também leva a inflamação dos brônquios, mas tem outras causas, como infecções virais ou bacterianas. Ao contrário da asma, a bronquite normalmente tem duração curta, e ambas possuem tratamentos diferentes. Em idades precoces é importante ressaltar que nem todo chiado é sinal de asma. Algumas características que podem sugerir asma são:

• Tosse com ausência de muco que pode piorar a noite ou acompanhada de chiado ou dificuldade de respirar;
• Tosse que ocorre com exercício, riso, choro ou exposição à fumaça do cigarro na ausência de infecções respiratórias aparentes;
• Chiado recorrente, inclusive durante o sono ou com gatilhos como atividade, riso, choro ou exposição à fumaça de cigarro;
• Histórico familiar de doenças alérgicas;
• Atividade reduzida; criança que corre, brinca e ri com menor intensidade do que outras crianças; pede para ser carregado no colo após pequenas caminhadas;
• Dificuldade para respirar ou respiração pesada, ocorrendo após exercício, riso ou choro.

Tratamento: a importância da continuidade

A gravidade da doença é dada de acordo com a necessidade de medicamento necessário para o controle dos sintomas. Considerando a diversidade dos tratamentos, que devem respeitar os tipos da doença, a lição número um refere-se à continuidade. Nada de tratar apenas nos picos de crise, que se intensificam no inverno por conta de infecções respiratórias.

O objetivo do tratamento da asma em crianças é muito similar aos adultos: atingir o controle dos sintomas e manter níveis normais de atividade. Uma vez confirmado o diagnóstico de asma na criança, esta também deve realizar o tratamento de forma contínua. O avanço da medicina trouxe ganhos consideráveis para pacientes com asma alérgica.

Os tratamentos disponíveis hoje no mercado são capazes de controlar totalmente a doença, evitando a utilização de corticoides orais e seus efeitos colaterais, bem como reduzindo significativamente o número de internações. E, o melhor, garantindo a qualidade de vida tanto para as crianças quanto para os adultos.

Para ter sucesso no diagnóstico e tratamento, é necessário que a parceria médico e família esteja afinada e que todas as informações sobre a doença estejam precisas e disponíveis. A compreensão da asma, em detalhes, faz diferença e é importante que o paciente e a família saibam que conviver com os sintomas da doença não deve ser considerado uma condição normal. É possível ter controle total dos sintomas e viver uma vida sem limitações.

*Dra. Zuleid D L Mattar é médica pediatra e presidente da Associação Brasileira de Asmáticos de São Paulo

Referências
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Simpson CR et al. Trends in the epidemiology of asthma in England: a national study of 333,294 patients. J R Soc Med. 2010 Mar;103(3):98-106.
Bisgaard H et al. Prevalence of asthma-like symptoms in young children. Pediatr Pulmonol. 2007 Aug;42(8):723-8.
GINA 2018. Disponível em https://ginasthma.org/wp-content/uploads/2019/01/2018-GINA.pdf. Acesso em 18.05.2019

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